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Informações da coleta

Fonte
Jornal Contábil
Categoria
Tributário
Status
Publicada em
29/09/2026 às 09:57
Coletada em
29/09/2026 às 10:11
Autor
—
Nova

Se vamos viver mais, vamos trabalhar por mais tempo?

Se vamos viver mais, vamos trabalhar por mais tempo?

O Censo Demográfico de 2022, do IBGE, registrou 22,2 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais, o equivalente a 10,9% da população. Em comparação com 2010, esse número cresceu 57,4%. A expectativa de vida ao nascer também avançou e chegou a 76,6 anos em 2024.

Viver mais é uma conquista, mas traz uma pergunta que o mercado de trabalho precisa enfrentar: onde fica o profissional de 50 anos ou mais nessa transformação?

A idade como barreira no mercado de trabalho

A idade ainda pode funcionar como barreira no mercado de trabalho. E essa discussão não envolve apenas comportamento ou cultura empresarial. Existe também uma dimensão jurídica.

A Constituição Federal proíbe diferenças de salários, de exercício de funções e de critérios de admissão por motivo de idade. A Lei nº 9.029/1995 também proíbe práticas discriminatórias e limitativas para acesso ou manutenção da relação de trabalho.

Para as pessoas com 60 anos ou mais, existe ainda a proteção específica do Estatuto da Pessoa Idosa. A legislação veda a discriminação e a fixação de limite máximo de idade na admissão, inclusive em concursos, ressalvados os casos em que a natureza do cargo exigir.

Isso significa que utilizar a idade de maneira indevida em um processo seletivo não é apenas uma questão de gestão. Dependendo das circunstâncias, essa prática pode gerar questionamentos e consequências na esfera trabalhista.

Quem acompanha as rotinas trabalhistas das empresas precisa estar atento a isso. Orientar um processo de contratação também passa por alertar o empregador de que experiência, competência e capacidade profissional não podem ser substituídas por um filtro de idade discriminatório.

O valor da experiência profissional

Além da questão jurídica, existe uma discussão sobre o valor da experiência.

Ter muitos anos de carreira não significa resistência à mudança, assim como ser jovem não significa, por si só, ser inovador.

Quem passou décadas trabalhando pode carregar percepção de risco, repertório, capacidade para lidar com problemas e um conhecimento construído em situações que nenhum curso consegue reproduzir por completo.

Isso não elimina a necessidade de atualização.

As ferramentas mudam rapidamente. Processos se transformam, tecnologias surgem e profissões são redesenhadas. Aquilo que aprendemos há vinte anos não será necessariamente suficiente para os próximos vinte.

Experiência e aprendizado contínuo precisam caminhar juntos.

A aproximação entre gerações

É aí que vejo uma das grandes oportunidades das carreiras mais longas: aproximar gerações em vez de colocá-las em lados opostos.

Profissionais mais jovens chegam ao mercado com novas referências, conhecimentos e uma relação diferente com a tecnologia. Profissionais mais experientes carregam aquilo que anos de decisões, erros, acertos e mudanças ajudaram a construir.

Não é disputa. É troca.

Essa convivência tende a ganhar importância à medida que diferentes gerações permanecem simultaneamente no mercado de trabalho.

Carreiras mais longas e novos começos

Nem todo mundo vai querer ou precisar trabalhar até uma idade mais avançada. Também não podemos ignorar as dificuldades enfrentadas por quem tenta permanecer ou retornar ao mercado depois dos 50.

Mas uma sociedade que vive mais precisa começar a discutir carreiras que também podem ser mais longas.

Recomeçar aos 50 não deveria significar começar tarde demais.

E a pergunta mais importante talvez não seja até que idade estaremos trabalhando.

A pergunta é:

Quanto espaço o mercado de trabalho estará disposto a oferecer para quem ainda tem muito a contribuir?

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