CBS e RAD: integração bancária em tempo real no ERP será diferencial, dizem especialistas da Oracle NetSuite
A integração bancária em tempo real nos sistemas ERP pode melhorar o controle do fluxo de caixa e apoiar a gestão financeira das empresas durante a transição para a CBS e o IBS

Resumo da notícia
A Reforma Tributária amplia o papel estratégico do contador, que deverá orientar clientes sobre os impactos das mudanças nos processos, nos custos e nos resultados financeiros.Com a entrada da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do Rad (Recolhimento pelo Adquirente), a integração bancária em tempo real será um grande diferencial do ERP (sistema de gestão de dados) para controle do fluxo de caixa das empresas.
A avaliação foi feita na 5ª feira (15.out.2026) por especialistas da Oracle NetSuite que participaram de um webinar do Portal da Reforma Tributária. O tema debatido foi o sistema ERP na transição para a CBS e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
Segundo Jean Carlos Ferreira, senior manager de product management da NetSuite, a reforma tributária exige que os sistemas de gestão empresarial integrem informações fiscais, financeiras e bancárias. A mudança ocorre porque a apropriação dos créditos tributários passará a depender do pagamento da operação, e não apenas da emissão da nota fiscal.
O especialista afirmou que a apuração assistida, sistema que permitirá ao contribuinte acompanhar os dados tributários disponibilizados pelo Fisco, também exigirá mecanismos de conferência e conciliação. Mesmo com informações centralizadas pelo governo, as empresas precisarão verificar os valores e comunicar eventuais divergências:
“Então existe essa necessidade de você ter a API para monitorar a apuração assistida em tempo real, que é o que eles [Fisco] estão provendo. Você ter no seu sistema isso para fazer a conciliação dessas operações“, disse.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Renato Brunholi, consultor de vendas indiretas da NetSuite, destacou que a mudança na apropriação dos créditos terá consequências para a gestão financeira.
Segundo ele, as empresas precisarão avaliar quando vale a pena recolher o tributo por conta própria para garantir o crédito, considerando as condições de pagamento negociadas com fornecedores:
“A liberação do crédito, agora, é financeiro. Então, isso vai mudar completamente como os sistemas vão conversar entre si. Eu estou falando de ERP, de sistemas bancários e do próprio Fisco, do próprio sistema que o Fisco está montando de apuração assistida. Vai ter que estar conversando exatamente por isso. Essa lógica começa já no ano que vem com a CBS, apesar de o split payment ainda não entrar“, disse Brunholi.
O especialista também citou o Rad como uma alternativa para empresas que precisam antecipar o aproveitamento de créditos. A decisão dependerá das características de cada operação e da análise dos dados de compras, vendas e pagamentos.
Brunholi usou como exemplo empresas que recebem pelas vendas antes de pagar seus fornecedores. Nesse cenário, a possibilidade de antecipar o recolhimento pode ajudar a administrar o fluxo de caixa e o pagamento dos tributos.
Para Jean Carlos Ferreira, a centralização das informações em um ERP permitirá avaliar essas alternativas com base nas operações da empresa. O sistema também poderá auxiliar na conciliação entre os valores registrados nas transações e os dados disponibilizados pelo Fisco.
SISTEMAS
Além da integração financeira, os especialistas destacaram a necessidade de adaptar os sistemas às mudanças na legislação e nos documentos fiscais. Ferreira explicou que a solução da Oracle NetSuite utiliza regras tributárias configuráveis, com alíquotas e períodos de vigência definidos pelos usuários.
O modelo permite, por exemplo, configurar regras diferentes para períodos distintos da transição. A flexibilidade também se aplica à formação das bases de cálculo, diante de interpretações e decisões judiciais que podem afetar a apuração dos tributos.
Ao abordar a possibilidade de incluir a CBS na base de cálculo do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), Brunholi afirmou que o sistema permite configurar o cálculo conforme o entendimento adotado pela empresa.
Ferreira ressaltou, porém, que a flexibilidade tecnológica não transfere ao fornecedor do software a responsabilidade pelas decisões tributárias:
“Não jogue para o seu fornecedor de software a responsabilidade de dizer o que está certo ou errado. Porque na hora que o Fisco te autuar, você não tem como falar que o software que estava calculando errado“, disse Ferreira.
Segundo o especialista, cabe à empresa definir os procedimentos adotados e acompanhar as mudanças legais. O sistema deve oferecer recursos para executar essas configurações, mas a decisão sobre o tratamento tributário permanece sob responsabilidade do contribuinte.
A emissão de documentos fiscais também representa um desafio. Ferreira destacou a diversidade de modelos utilizados pelos municípios e a necessidade de adaptar os sistemas às exigências de cada localidade. Segundo ele, a flexibilidade dos modelos de comunicação permite realizar ajustes quando há mudanças nas especificações técnicas.
CONTADOR
Durante a transmissão, os especialistas destacaram que o profissional precisará ir além do cumprimento das obrigações fiscais e ajudar os clientes a entender os impactos das mudanças nos processos e nos resultados financeiros.
“Na minha visão, o contador não vai ser um emissor de guias. Na verdade, eu acho que ele vai ser um grande guru de muitas empresas pequenas, desde que ele esteja preparado para isso“, disse Brunholi.